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"Quando as ondas do mar agitado ameaçarem naufragar o seu barco, serei o seu porto seguro. Quando o brilho de todas as estrelas do céu se apagarem, serei a sua luz em meio a escuridão. Quando os seus pés estiverem cansados de percorrerem caminhos desconhecidos, te carregarei no colo. Quando a dor no peito estiver quase que impossível de suportar, as tomarei para mim. Quando as lágrimas insistirem em cair, as enxugarei. Quando estiver prestes a desabar, serei o seu sustento. Quando a tristeza bater em sua porta, atenderei e direi que aqui não é bem-vinda. Quando pensar que os motivos para desistir são grandes, te mostrarei que os motivos para continuar são maiores ainda. Quando o seu coração estiver exausto de sofrer por amores errados e passageiros, te presentearei com o amor eterno. Quando todos virarem às costas, te estenderei as minhas mãos. Quando os dias ruins consumirem todas as suas esperanças de dias bons, farei ressurgir um raio de esperança em seu coração. Quando o medo te assombrar, te encherei de coragem. Quando achar que não existem mais saídas, abrirei portas. E quando achar que não aguentará mais, estarei ao seu lado a espera de ouvir a sua doce voz pedindo por socorro. De braços abertos te espero, filho(a) meu." - Com amor, Deus.

(Source: deus-e-poeta, via deus-e-poeta)

"Prosa tuas mãos nos meus cabelos e
poema-se teus seios no meu coração;
rouba versos com os dentes;
pinte sonetos no meu corpo nu;
disserte sobre nós até os poetas ficarem sãs.
" - Nathália Rizzo

(Source: estorvosliterarios, via de-alma-nua)

"Toca essa música de seda, frouxa e trêmula que apenas embala as estrelas noutro mar. Do fundo da escuridão nascem vagos navios de ouro, com as mãos de esquecidos corpos quase desmanchados no vento. O vento bate nas cordas, e estremecem as velas opacas, e a água derrete um brilho fino, que em si mesmo longo se perde. Toca essa música de seda, entre areias e nuvens e espumas. Os remos passarão no meio da onda, entre os peixes suspensos; e as cordas partidas andarão pelos ares dançando à toa. Cessará essa música de sombra, que apenas indica valores de ar. Não haverá mais nossa vida, talvez não haja nem o pó que fomos. E a memória de tudo desmanchará suas dunas desertas, e em navios novos homens eternos navegarão" - Cecília Meireles. 

(Source: poesia-de-cecilia, via de-alma-nua)

"

Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.

Mas não escreva poesia.

" - Charles Bukowski.

(Source: oxigenio-dapalavra, via brisa-e-vendaval)

Aqui jaz

Todo sentido e significância. Jaz a sutileza no olhar, o sentimento no toque, o calor do abraço. Jaz as frases de auto-ajuda, as palavras que serviam de agasalho. Jaz a inocência, a decência e a sensação de importância.
Desmorono, me abandono, e não deixo rastros.
Sou como uma vela diante do sol; sou vaga-lume fingindo ser lampada. Aqui jaz o que fui antes, o que fui ontem, e segue a imagem torta do que sou agora.

Erick Calcários

(Source: cannalha, via livrosroubados)

"Mariana nunca soube o que vestir, o que fazer ou como se comportar. O mundo era pequeno de mais e Mariana sabia disso. Ora, se em teus piores dias o mundo a conquistava com suas reviravoltas, em seus dias de glória o mundo a amedrontava com sua vasta obsessão pelo infinito. O mundo girava e Mariana crescia e o mundo diminuía e Mariana continuava a crescer. Ela o dominou e o deixou em suas mãos. Mariana hoje o controla como ninguém, vê quem cresce, quem nasce e quem escolhe morrer. Sim, a morte não passa de uma escolha. Só não se vai quem não sabe pra onde ir." - proferir

Anatomia do encanto

a curva sinuosa e ascendente dos quadris de Clara
a simetria inconclusiva dos olhos dela pregados aos meus
o frescor da pele misturado ao paladar fresco do café no ar
o traço sincero e grafitado dos seus ombros distraídos
até a última estrela pousada sobre o infinito
ela não sabia que possuía tal poder
ela não sabia do seu encantamento
por ela eu morreria de amor
por ela eu compraria um barco com velas coloridas
só pra ver o sol pousar no mar
só pra falar pra ela sobre esse amor. 

Elisa Bartlett

(Source: oxigenio-dapalavra, via nordestiana)

"À muito tempo não escrevo. Tenho por mim que talvez as minhas palavras já foram-se com a brisa quente de verão, ou permaneceram, quem sabe. Em algumas horas do dia sinto-me emaranhada pelo desejo de pegar meu bloco de notas e escrever, nem que seja em hebraico. Mas percebo que estou entalada, não de comida, a muito tempo não me alimento conforme o estômago pede. Estou entalada com as palavras que não consigo vomitar… Elas sempre saíram com muita facilidade, agora não mais. Tenho de pôr o dedo na garganta algumas vezes, até que eu consiga desnutri-me do que me faz viva. Então ouço Caetano, o blues automaticamente me possui e posso sentir algo querendo sair, é a tristeza se esvaindo." - G. Burckle

(Source: anomaliapoetica, via duend-world)

"Eu pude sentir você me esquecendo. Pude sentir o meu eu esvaindo-se completamente de você. Pude sentir-me escapando de suas jaulas preparadas para que eu não pudesse cair. Senti como se o peso de suas mãos não estivessem mais sobre os meus ombros cansados. E preciso admitir que isso não é tão bom quanto se parece. Eu senti, juro que senti você vivendo outras histórias, beijando outros rostos e admirando outros sorrisos. Doeu bem dentro de mim o momento em que pude perceber que já não era mais sua. O momento em que entendi que jamais iríamos nos pertencer. É como se a vida fosse um quebra-cabeça complexo, completo enquanto eu tinha você. Agora sinto como se você fosse a peça que falta. Como se o vazio estivesse ancorado no meu peito sem data para velejar. Como se essa cratera aqui formada em mim, estivesse alojada que nem um parasita e sugando minha força vital com uma voracidade tal, que não consigo enxergar os horizontes que me cercam. Estou marcada pela vertigem em que deixaste-me. Como se o peso de existir fosse tão incarregável quanto as correntes que me prendem as tuas memórias." - Éden Victor.

(Source: reclusivo, via reclusivo)